quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ninguém quer ouvir a verdade

Tem dias que nada faz sentido, que as horas não são vistas e que a sua perna balança freneticamente a espera de um acontecimento nada ocasional.
Uma agonia crescente que te pega despreparada, embola sua garganta, soa suas mãos e lateja sua cabeça. Uma vontade incontrolável de chorar de algo que você nem sabe o que é.Uma dormência quase sem sentido.
Tudo o que você nunca sentiu em um corpo e reações que você desconhece.
Enquanto a minha vontade é de sair loucamente gritando pela casa esmurrando cada parede e tentando aliviar todos os meus medos, eu continuo sentada no sofá tentando entender algo que talvez eu nunca mais sinta.
Eu espero que eles tomem as rédeas da situação como fizeram comigo, que uma única vez façam o mesmo, mas eles continuam com o discurso de que tudo é diferente, que a situação não é a mesma e que nada pode ser feito. Um monte de mentiras e besteiras vomitadas por alguém em quem eu acreditava. E mais uma vez olho amargamente para o passado tentando entender porque fiz a coisa certa a se fazer? Por que abri mão de meus sonhos para que outra pessoa vivesse o dela? E por que ninguém faz isso por mim?
A reposta é mais simples do que parece, aquele velho ditado que diz: faça aos outros o que espera que façam por você, não passa de uma lenda, de um falso moralismo empregado aos filhos que cedo ou tarde você vai acabar descumprindo, um exemplo que você nunca vai ser.
A verdade é que você vai acabar sendo odiado e amado, não em proporções iguais nem em tempo integral.
A verdade é que você vai acabar esperando dos outros o que jamais fez por você mesmo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ficção real

Mais um dia começa na metrópole fria e cinzenta, mais um dia de chuva amanhece tristonho e mau humorado nessa selva de pedra. A mesma correria, as mesmas pessoas se trombando enquanto o trem não chega.Tudo está metodicamente igual e espontaneamente diferente.

Ao sair da estação cubro meus ombros com meu casaco e protejo meu corpo com a ajuda do guarda chuva. Olhando sempre em frente, atravesso a rua e busco um lugar onde as gotas grossas, frias, cortantes e pesadas não possam me atingir.

Hoje, o centro está diferente. Não existem mais tantas pessoas deitadas nas calçadas enquanto saltos finos e sapatos firmes serpenteiam e produzem uma melodia frenética no asfalto.

O lixo ainda estava encostado em postes, em portas fechadas ou no meio fino. As pessoas não correm tanto, talvez pelo medo de cair na superfície escorregadia das ruas.

Menos de 200 metros depois da estação furei o sinal vermelho. E por algum motivo me concentrei em um saco de lixo verde do outro lado da rua, um flash assombrou meus pensamentos quando pensei em um filme antigo, ou seria um seriado recente, onde as pessoas acabam mortas lá dentro.

Ao passar ao lado percebi que não era lixo, era um homem totalmente enfiado dentro do saco de plástico, encolhido em posição fetal, imóvel.

Girei meu corpo para o outro lado da rua e percebi que todos os sacos de lixo espalhados pelas ruas da República eram na verdade pessoas. Crianças, homens e jovens se protegendo do frio no mesmo objeto em que jogamos restos de comida e papel higiênico usado.

Toda a cena se construía em meus olhos enquanto um grito me acordava do transe. Um rapaz sem camisa e de calça branca, corria descalço, gritando por Rita.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Remember my name

Sentada me perguntei o que valeria a pena, por onde e para onde eu estava caminhando? Quem eu era de verdade e o que eu queria ser.
Há muito tempo eu caminhava, mas a estrada longa e cheia de bifurcações não parecia o meu lugar.
Olhando para um lado a placa de atalho piscou em meu campo de visão, se olhava para o outro o caminho da perdição.
Seguir em frente era o certo a fazer, não importava o tempo, não importavam os contratempos que eu teria que vencer, eu sempre fui ensinada que no fim havia a recompensa. O pote do ouro.
Mas eu não estava preocupada com o prêmio, nem com as barreiras, o que me tirava o sono era o caminho, a escolha.
O desespero, a vontade de largar tudo, a incerteza, eram parte do processo ou sintomas do erro?
A vida nunca se mostrou fácil e toda vez que eu subia mais um degrau algo me fazia retroceder dois. E eu aprendi, que pés calejados, corpo cansado e muito suor são parte do que você vai se tornar no futuro, mesmo que seu sonho não se torne realidade.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O certo e o seu lado

Ser um ser humano decente implica em alguns deveres. Um deles é de tentar fazer sempre o certo, não importa o quanto você vai se decepcionar e tudo o que você vai perder.
Uma história: Sempre que alguém começa uma mentira ela aumenta, aumenta e uma hora você vai estar envolvida na maior parte dela.
Eu fiz o que era certo, mas não pense que fui recompensada. Eu fiz o que podia, mas deixei de fazer o que queria. Eu abri mão de um sonho, e o que recebi em troca foram farpas e ofensas.
Eu escuto todas as reclamações mas não tenho o mesmo direito.
Por isso escolhi viver à meia luz, em deixar que os outros façam suas escolhas e se arrependam ou comemorem o acerto.
Eu escolhi ser uma pessoa decente, mas isso não quer dizer que escolhi ser feliz.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Não abra a porta

Sente-se ao meu lado e observe a paisagem....a sua esquerda você vai encontrar uma sala ampla e clara, enfeites natalinos: apenas uma árvore tímida perto da tv de plasma com luzes e fitas azuis. Em cada um dos grandes sofás de couro intactos, não existe ninguém. O cheiro que vem da cozinha pode até lhe hipnotizar por alguns instantes, mas você logo ficará desanimado ao encontrar uma mesa de 10 cadeiras brancas onde apenas uma vela e uma louça descansam reluzentes àquela meia luz.
Você não foi convidado, mas não se sinta excluído pois ninguém fará uma visita a Maria nesta noite de Natal.
Ao soar da meia noite a jovem loira e elegante perambula pela casa rezando baixo todas as preces que conhece. Sem acender uma única luz ela para no começo de sua longa escada de mármore e se lembra de cada um de seus hematomas, e do choro que era obrigada a engoloir.
Maria escolheu que este Natal fosse totalmente diferente, sem guerra, sem mau humor, sem pancadaria.
Com sua serena companhia, Maria passou o Natal sozinha. Ceiou sozinha e desligou as luzes de sua árvore de Natal sem presentes às 2 da madrugada.
Deitada, Maria percebeu que não existia presente melhor que a paz.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sem meu amanhecer

Não sei como explicar o que acontece. Dormir completa e levantar vazia é uma sensação ludibriante que fez meu corpo amanhecer dormente e inquieto.

Eu não posso olhar para trás, nem pensar no futuro (que por agora me parece distante demais) o que eu quero já não está ao meu alcance. E o que me anestesiou antes não surge mas efeito em meu corpo e/ou mente.

No meio de milhares de pessoas que andavam ao meu redor eu me vi sozinha, me senti sozinha e chorei sozinha. Com um nó em minha garganta eu senti o ar embolar e rasgar minhas narinas tentando sair. Com os olhos ardentes eu senti a raiva e o amor misturados ao sentimento de êxtase.

Não ter controle sempre me enlouquece ,mas não entender essas reações me deixa,hoje, com os nervos à flor da pele.

Não tente me enganar nem mentir a respeito de nada, pois a única certeza que me vem a cabeça, é que o gosto da loucura é doce demais para ser deixado de lado, e a vontade de sonhar mais uma vez é a única coisa capaz de me manter viva.

sábado, 21 de novembro de 2009

Linha tênue

Eu odeio o jeito que você me olha, o modo como me julga e a força com que me afasta.
Eu odeio você por ter levado contigo meu sonho e por ter me deixado sozinha em um caminho que não era meu.
Odeio o rumo que minha vida tomou, e acima de tudo, odeio o modo como me fez mentir.
Eu não te odeio apenas por ter levado meu único e verdadeiro desejo para longe, eu a odeio por tentar, todos os dias, me afastar da minha tranquilidade.
A odeio por não se importar e pela facilidade com a qual me deixa de lado.
Odeio não ter sido a escolhida, e me odeio, por recolher as sobras que me mantêm viva e sã.
Mas acima de tudo eu odeio a mim.
Por te amar incondicionalmente, por fingir não ver sua apatia, por mascarar sua falta de vontade comigo.
Eu me odeio tanto por não deixar de te amar e por saber que a cada dia que passa, meu amor aumenta, solidifica, enraíza.
A cicatriz que você deixou em meu peito arde esporadicamente mas sua dor é tão forte e violenta, que me leva para um passado feliz. E depois me joga para um presente cheio de angústia, dor e sacrifícios.
Eu a odeio tanto, mas me odeio mais, por saber, que vou te amar para sempre.