A essa altura da vida eu já deveria saber, vocês só somem quando as memórias viram histórias. Às vezes, nem assim.
A inquietude da minha mente parece querer respostas diante do silêncio, sair da ambiguidade em busca de um caminho. Ficar parada na bifurcação parece doloroso demais para as minhas 4 décadas.
Eu não amo você, sequer nutro sentimentos românticos por quem você escreveu ser, demonstrou ser, mas é estranhamente fascinante perceber que ainda assim as memórias vem e voltam com uma frequência inquietante.
Talvez tenha sido o jeito que você segurou minha mão enquanto sua boca me preenchia de desejo. A maneira como você sentiu meu gosto como se eu fosse uma iguaria dos deuses. Pode ter sido o toque suado, a conversa fiada, o sorriso fácil. Pode só ter sido eu!
Talvez seja a maneira como eu me senti viva depois de estar morta por 3 anos. Ou o seu gosto salgado que tocou minha língua e maliciosamente me arrancou uma sorriso de aprovação. Quem sabe não foi a leveza de tudo, o seu jeito fácil de ser meu amigo.
Ainda assim, diante da certeza de que eu não quero nada além do que já temos, me parece que você não entendeu. Eu não sou a mulher da sua vida, você não será o homem da minha, mas isso não significa que a gente não possa ser mais do que aquilo que já fomos.
