quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Uma degustação para os sentidos

 Sentada na beira da cama, ela toma mais um gole do chá. Adocicado como o mel, suave como o roçar dos dedos na pele da nuca, quente como a noite de amor que acabara de viver.

Perdão, amor, não. A noite de uma compulsão sexual enlouquecedora, que a fez não apenas mostrar as garras, mas rasgar a carne, encher a boca, foder com força. Uma transa inigualável em sabores e aromas. Um menu degustação digno das estrelas Michelin.

Um prato novo, curtido na tinta do ink e na mistura de sabores cítricos e amadeirados. Eram lábios que mordiam e eram mordidos, mãos que acariciavam e penetravam, seios que fascinavam e enchiam as mãos.

Era uma vontade imensa, carregada do mais visceral sentimento de ódio. Não por ele. Por ele, apenas tesão. Tesão de três. Tesão de quem a deixou na mão, de quem não se comprometeu e de quem sequer prometeu entregar. E foi nele que ela desaguou, como uma cachoeira em um dia de verão, num fluxo longo e intenso.

Os sussurros e gemidos ao pé do ouvido, o som da pele se encontrando com força e ritmo, o vigor de um jovem que ainda não consegue satisfazer uma loba como ela merece, mas que serve como uma bela entrada.

Língua, suor e sêmen. Tudo o que ela quer e que agora não precisa mais esconder.

E, quando a própria língua toca o último gole daquele chá que só ela sabe fazer, sua cabeça mergulha numa neblina quase instantânea.

Nenhuma foda será esquecida se for bem feita.