quinta-feira, 20 de maio de 2010

O vermelho de minha vida

Estava em movimento quando senti a morbidez do que havia acontecido.
Tantas vezes eu lhe ouvi dizer que eu deveria lhe dar uma chance, que acabei acreditando que você merecia mesmo essa oportunidade. Mas você me decepcionou, e eu percebi, que não passo de alguém que faz tudo o que você não sabe fazer, que leva na cara sem revidar como você merece, que está sempre pronta pra lhe ajudar e apoiar.
Um grande acontecimento me fez perceber que minha vida, meu futuro e meu coração estão onde sempre deveriam estar, há 3 anos, com quem realmente se importa comigo, ou talvez não...
A cabeça gira, o estômago reclama, o coração. Este já não sente mais o tranco, está apenas sobrevivendo...e assim vou seguindo minha pseudovida, esperando que um dia eu deixe pra trás o que nunca foi meu por direito

sábado, 17 de abril de 2010

Ninguém muda

Acusações são cuspidas em sua cara, palavrões, xingamentos, tudo faz parte de um pacote em que você não se vê como produto, talvez seja um brinde ou outro, talvez seja o ar que infla ao máximo o pacotinho que já vem pela metade.
Mas como em todo sonho, uma hora acordamos e constatamos, por mais cruel e doloroso que seja, que somos sim tudo aquilo que nos falaram e que talvez aquela seja a única pessoa em quem você pode confiar e amar incondicionalmente.
Um certo Dr. me avisou uma vez que as pessoas não mudam, mas como qualquer ser humano iludido pelas encenações canalhas que nos são mostradas, você passa a acreditar que um dia tudo pode ser diferente, mas passa.
E sentada sozinha, ou com um estranho lhe dizendo a única verdade que você não suporta ouvir, você percebe que sempre será aquela pessoa que afasta as outras pessoas.
E quando a solidão se tornar parte corriqueira de sua vida e a falta de cuidado se tornar mais uma coisa que você atura sem pestanejar, você sentará em seu quarto e derramará todo o ódio que sente, toda a dor que atormenta e toda náusea que lhe causa.
Tudo isso para aprender a viver sozinha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Block

Eu tento, eu repito a cena, eu relembro cada letra, cada palavra, cada frase, mas tudo o que eu consigo está em branco.
Meu pulso está branco, cheio de veias pretas que pulsam e irrigam vasos menores. Um líquido grosso e roxo.
Mas aí eu percebo que perdi o foco, que não era isso que eu queria, não era o que eu deveria mostrar. A memória volta, mas as palavras não, e a raiva que eu senti de mim quando percebi tudo o que falavam, não me fez ter mais raiva de ninguém. Até a hora em que um pé foi colocado no meu caminho e fui proibida de seguir em frente.
O que eu fiz? Dei a volta e entrei pelos fundos.
Não pense que você vai me impedir, muito menos me calar. O poço fundo e sujo que encontrei não foi visto apenas por mim.

sexta-feira, 12 de março de 2010

P&B

Porque meu quarto é tão branco? Parece que eu não consigo pensar direito, era mesmo, tudo branco.
Era um corpo inquieto, uma mente inqueita, um sonho inquieto, mas era tudo tão calmo, tudo tão solene, tudo tão natural.
Era choro, era raiva, era ódio, mas era amor, era paz, era felicidade.
Era branco, era preto, às vezes era vermelho, marrom nunca foi e a maior parte do tempo era cinza. É cinza, mas será cinza?
Era aperto, era angustia, era dor, era explosão, era êxtase, era prazer.
Eu era tudo e não era nada, eu queria e negava tudo ao mesmo tempo.
Era tudo branco, eu não conseguia pensar. Eu estava presa, mas estava livre, eu estava louca, mas estava sã. Eu queria você, mas acima de tudo eu lhe abominava.
Era vermelho e esvaiu, era branco e escureceu, era amor.....agora não é nada

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ninguém quer ouvir a verdade

Tem dias que nada faz sentido, que as horas não são vistas e que a sua perna balança freneticamente a espera de um acontecimento nada ocasional.
Uma agonia crescente que te pega despreparada, embola sua garganta, soa suas mãos e lateja sua cabeça. Uma vontade incontrolável de chorar de algo que você nem sabe o que é.Uma dormência quase sem sentido.
Tudo o que você nunca sentiu em um corpo e reações que você desconhece.
Enquanto a minha vontade é de sair loucamente gritando pela casa esmurrando cada parede e tentando aliviar todos os meus medos, eu continuo sentada no sofá tentando entender algo que talvez eu nunca mais sinta.
Eu espero que eles tomem as rédeas da situação como fizeram comigo, que uma única vez façam o mesmo, mas eles continuam com o discurso de que tudo é diferente, que a situação não é a mesma e que nada pode ser feito. Um monte de mentiras e besteiras vomitadas por alguém em quem eu acreditava. E mais uma vez olho amargamente para o passado tentando entender porque fiz a coisa certa a se fazer? Por que abri mão de meus sonhos para que outra pessoa vivesse o dela? E por que ninguém faz isso por mim?
A reposta é mais simples do que parece, aquele velho ditado que diz: faça aos outros o que espera que façam por você, não passa de uma lenda, de um falso moralismo empregado aos filhos que cedo ou tarde você vai acabar descumprindo, um exemplo que você nunca vai ser.
A verdade é que você vai acabar sendo odiado e amado, não em proporções iguais nem em tempo integral.
A verdade é que você vai acabar esperando dos outros o que jamais fez por você mesmo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ficção real

Mais um dia começa na metrópole fria e cinzenta, mais um dia de chuva amanhece tristonho e mau humorado nessa selva de pedra. A mesma correria, as mesmas pessoas se trombando enquanto o trem não chega.Tudo está metodicamente igual e espontaneamente diferente.

Ao sair da estação cubro meus ombros com meu casaco e protejo meu corpo com a ajuda do guarda chuva. Olhando sempre em frente, atravesso a rua e busco um lugar onde as gotas grossas, frias, cortantes e pesadas não possam me atingir.

Hoje, o centro está diferente. Não existem mais tantas pessoas deitadas nas calçadas enquanto saltos finos e sapatos firmes serpenteiam e produzem uma melodia frenética no asfalto.

O lixo ainda estava encostado em postes, em portas fechadas ou no meio fino. As pessoas não correm tanto, talvez pelo medo de cair na superfície escorregadia das ruas.

Menos de 200 metros depois da estação furei o sinal vermelho. E por algum motivo me concentrei em um saco de lixo verde do outro lado da rua, um flash assombrou meus pensamentos quando pensei em um filme antigo, ou seria um seriado recente, onde as pessoas acabam mortas lá dentro.

Ao passar ao lado percebi que não era lixo, era um homem totalmente enfiado dentro do saco de plástico, encolhido em posição fetal, imóvel.

Girei meu corpo para o outro lado da rua e percebi que todos os sacos de lixo espalhados pelas ruas da República eram na verdade pessoas. Crianças, homens e jovens se protegendo do frio no mesmo objeto em que jogamos restos de comida e papel higiênico usado.

Toda a cena se construía em meus olhos enquanto um grito me acordava do transe. Um rapaz sem camisa e de calça branca, corria descalço, gritando por Rita.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Remember my name

Sentada me perguntei o que valeria a pena, por onde e para onde eu estava caminhando? Quem eu era de verdade e o que eu queria ser.
Há muito tempo eu caminhava, mas a estrada longa e cheia de bifurcações não parecia o meu lugar.
Olhando para um lado a placa de atalho piscou em meu campo de visão, se olhava para o outro o caminho da perdição.
Seguir em frente era o certo a fazer, não importava o tempo, não importavam os contratempos que eu teria que vencer, eu sempre fui ensinada que no fim havia a recompensa. O pote do ouro.
Mas eu não estava preocupada com o prêmio, nem com as barreiras, o que me tirava o sono era o caminho, a escolha.
O desespero, a vontade de largar tudo, a incerteza, eram parte do processo ou sintomas do erro?
A vida nunca se mostrou fácil e toda vez que eu subia mais um degrau algo me fazia retroceder dois. E eu aprendi, que pés calejados, corpo cansado e muito suor são parte do que você vai se tornar no futuro, mesmo que seu sonho não se torne realidade.