quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O certo e o seu lado

Ser um ser humano decente implica em alguns deveres. Um deles é de tentar fazer sempre o certo, não importa o quanto você vai se decepcionar e tudo o que você vai perder.
Uma história: Sempre que alguém começa uma mentira ela aumenta, aumenta e uma hora você vai estar envolvida na maior parte dela.
Eu fiz o que era certo, mas não pense que fui recompensada. Eu fiz o que podia, mas deixei de fazer o que queria. Eu abri mão de um sonho, e o que recebi em troca foram farpas e ofensas.
Eu escuto todas as reclamações mas não tenho o mesmo direito.
Por isso escolhi viver à meia luz, em deixar que os outros façam suas escolhas e se arrependam ou comemorem o acerto.
Eu escolhi ser uma pessoa decente, mas isso não quer dizer que escolhi ser feliz.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Não abra a porta

Sente-se ao meu lado e observe a paisagem....a sua esquerda você vai encontrar uma sala ampla e clara, enfeites natalinos: apenas uma árvore tímida perto da tv de plasma com luzes e fitas azuis. Em cada um dos grandes sofás de couro intactos, não existe ninguém. O cheiro que vem da cozinha pode até lhe hipnotizar por alguns instantes, mas você logo ficará desanimado ao encontrar uma mesa de 10 cadeiras brancas onde apenas uma vela e uma louça descansam reluzentes àquela meia luz.
Você não foi convidado, mas não se sinta excluído pois ninguém fará uma visita a Maria nesta noite de Natal.
Ao soar da meia noite a jovem loira e elegante perambula pela casa rezando baixo todas as preces que conhece. Sem acender uma única luz ela para no começo de sua longa escada de mármore e se lembra de cada um de seus hematomas, e do choro que era obrigada a engoloir.
Maria escolheu que este Natal fosse totalmente diferente, sem guerra, sem mau humor, sem pancadaria.
Com sua serena companhia, Maria passou o Natal sozinha. Ceiou sozinha e desligou as luzes de sua árvore de Natal sem presentes às 2 da madrugada.
Deitada, Maria percebeu que não existia presente melhor que a paz.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sem meu amanhecer

Não sei como explicar o que acontece. Dormir completa e levantar vazia é uma sensação ludibriante que fez meu corpo amanhecer dormente e inquieto.

Eu não posso olhar para trás, nem pensar no futuro (que por agora me parece distante demais) o que eu quero já não está ao meu alcance. E o que me anestesiou antes não surge mas efeito em meu corpo e/ou mente.

No meio de milhares de pessoas que andavam ao meu redor eu me vi sozinha, me senti sozinha e chorei sozinha. Com um nó em minha garganta eu senti o ar embolar e rasgar minhas narinas tentando sair. Com os olhos ardentes eu senti a raiva e o amor misturados ao sentimento de êxtase.

Não ter controle sempre me enlouquece ,mas não entender essas reações me deixa,hoje, com os nervos à flor da pele.

Não tente me enganar nem mentir a respeito de nada, pois a única certeza que me vem a cabeça, é que o gosto da loucura é doce demais para ser deixado de lado, e a vontade de sonhar mais uma vez é a única coisa capaz de me manter viva.

sábado, 21 de novembro de 2009

Linha tênue

Eu odeio o jeito que você me olha, o modo como me julga e a força com que me afasta.
Eu odeio você por ter levado contigo meu sonho e por ter me deixado sozinha em um caminho que não era meu.
Odeio o rumo que minha vida tomou, e acima de tudo, odeio o modo como me fez mentir.
Eu não te odeio apenas por ter levado meu único e verdadeiro desejo para longe, eu a odeio por tentar, todos os dias, me afastar da minha tranquilidade.
A odeio por não se importar e pela facilidade com a qual me deixa de lado.
Odeio não ter sido a escolhida, e me odeio, por recolher as sobras que me mantêm viva e sã.
Mas acima de tudo eu odeio a mim.
Por te amar incondicionalmente, por fingir não ver sua apatia, por mascarar sua falta de vontade comigo.
Eu me odeio tanto por não deixar de te amar e por saber que a cada dia que passa, meu amor aumenta, solidifica, enraíza.
A cicatriz que você deixou em meu peito arde esporadicamente mas sua dor é tão forte e violenta, que me leva para um passado feliz. E depois me joga para um presente cheio de angústia, dor e sacrifícios.
Eu a odeio tanto, mas me odeio mais, por saber, que vou te amar para sempre.

sábado, 14 de novembro de 2009

I dreamin' a dream

Eu me sinto culpada por estar tão infeliz onde estou. Isso não quer dizer que eu não goste do que vivo nem do que faço, apenas quer dizer que eu não me sinto mais completa como antes.

É muito difícil ver um sonho ir embora pelo ralo e você não ter forças suficientes para agarrá-lo e segurar todo aquele momento por mais um tempo.

Eu não quero mais sonhar, os devaneios alimentam nossa mente mas não a preparam para a perda dolorida de tudo o que você sempre quis.

Eu lutei para alcançar o que queria mas tudo foi embora rápido demais.

E as pessoas que conheci neste pouco tempo, são as únicas coisas que me fazem ter certeza, que nada foi em vão.

Eu já procurei milhares de formas de escrever o que sinto, o que sentia e o que ainda acontece comigo toda vez que olho para a parte de trás do vagão vazio que se tornou minha vida.

Mas eu só consigo lembrar das vezes que chorei desesperada e agoniada sob os olhares de estranhos. Das vezes que me faltaram forças suficiente para subir mais um degrau ou erguer a mão.

Passar mais uma vez por tudo aquilo é como reviver um pesadelo do qual você luta e corre enquanto se encharca de suor.

É como entrar em uma batalha perdida e usar toda a sua energia tentando vencer.

E então me sinto completamente tomada pela culpa de não conseguir aproveitar por completo a experiência que estou tendo. O que acontece comigo, será que que alguma parte do meu cérebro tem defeito?

Eu nunca havia experimentado essas duas sensações juntas: tristeza e felicidade, misturadas e intensificadas, como se eu me tornasse bipolar, como se não sentisse mais nada que não seja isso. Uma vez escondida, uma vez a tona.

Eu não consigo olhar para o futuro sem deixar de pensar em como tudo poderia ser diferente.

domingo, 8 de novembro de 2009

Eu preciso acreditar?

As vezes eu me pergunto quantas vezes vou fazer esta mesma pergunta?
As vezes eu apenas quero que a resposta não seja vaga. Ou que aceite, finalmente, a verdade.
Quando eu sinto aquela vontade estranha e súbita de me debulhar em lágrimas, de enfiar a mão garganta adentro e desfazer aquele nó que aperta meu peito, algo estranho me impede.
Por alguma razão eu não consigo, por algum motivo estranho eu não choro. Não por fora. Porque por mais que por dentro eu esteja despedaçada, por fora eu estou inteira.
Por mais que eu ache que não suporto mais, eu estou de pé.
Por mais que eu não queira estar ali, eu estou intacta.
É aquele tipo de mal que você sabe que existe, aquele que te assusta mas não te afasta. É o ponto que alimenta e o que te mata de fome, o que te enferma e te cura, o que fica e se afasta. Não é paradoxo, é real e confuso.
Acreditar que seu destino é a solidão te deixa amarga, te faz endurecer com tudo e todos. Eu não sei quando, nem como mudei. Estou diferente e isso não significa que vou deixar de olhar para a janela enquanto chove tentando imaginar o que pode acontecer comigo.
Talvez eu mude, novamente, amanhã ou talvez não. O que isso importa? A quem importa?
Viver não é fácil, exige coragem e luta constante mas desistir nunca fez parte de mim, e eu não acredito que por isso sou fraca

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

About Love

O amor vive de várias formas, se expressa de modos diferentes e não quer nada em troca. Mas eu vejo o amor de uma outra maneira, ou perspectiva se quiserem assim nomear.

Ele vive na pele de um gato manhoso, que quando se sente sozinho em uma casa fria, corre em sua direção vencendo todos os obstáculos.

Um felino astuto que procura seu colo, suas mãos, seu carinho e sua atenção.

Esperto e ágil ele se aconchega até dominar por completo aquele instante de sua vida. Você se apega, acaricia, deposita tudo o que tem de melhor naquele momento.

Ele se mantém ali, intacto, pelo tempo necessário. E quando você acredita que o animalzinho que estava ali se transformou em uma estátua de mármore e tenta movê-lo em outro direção. Ele se agarra com unhas à mordomia e  estabilidade. Acariciando suas mãos com o focinho gelado.

Exatamente neste ponto você já foi tomado pela confiança, pelo sentimento, pela necessidade, e até mesmo pela vaidade.

Mas o bichano se assusta, ou apenas percebe que aquilo não lhe satisfaz como antes, e o deixa como tudo começou. Subitamente

Ainda astuto e ágil, ele se afasta de suas mãos, rejeita seu carinho e ignora seu chamado. Ele não lhe reconhece mais como sua necessidade e corre cômodo afora , ofegante.

Ao saltar pela janela, o felino nem mesmo volta a cabeça pra lhe dizer adeus. Ele parte, enquanto você permanece imóvel e nauseante em seu lugar.

Apenas porque a natureza deste gato não lhe permite a cumplicidade necessária para permanecer ali por muito tempo, ou talvez porque a sua felicidade não mereça viver por toda a eternidade.

 

                                                                     THE END