quinta-feira, 10 de março de 2011

Enquanto ele não vem

Certa vez eu me perguntei como seria a sensação de ser amada. Amar é fácil, é como ser levada por uma correnteza nadando a seu favor, mas ser amada deve ser um pouco diferente.
Nessa mesma ocasião meu perguntei se um beijo de amor e tão diferente de um beijo de tesão, se os valores são diferentes, se o contato corporal muda.

Não sei ao certo que me fez pensar nisso, talvez fossem as lágrimas que me escaparam dos olhos teimosos que fitavam o casal no parque, talvez fosse o soluço sorrateiro que pulou de minha boca logo depois de ouvir meu amigo de ônibus dizendo "Eu Te Amo" ao telefone. Pode até ser o fato de ter percebido que o amor sempre me fez falta, mesmo eu negando, mesmo desdenhando.

Mas foi de amor como afeto, como carinho, como saudade que eu senti falta. Foi de amor como toque, como cheiro, como gosto. Eu senti falta do amor como ele não sentiu de mim. E enquanto ele passa disfarçado ao meu lado, tentando esconder seu rosto em outros tantos que cruzam meu caminho, eu vou seguindo solitária, vendo o amor de uma janela, de um banco, de um quadro. Acreditando que eu não mereça o amor e, que talvez ele tenha percebido isso.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Só, tão somente

Eis aqui um texto sem começo, eis também algo que quero dizer sem apresentações, sem ensaios, sem palavras, talvez uma única palavra: solidão.

Eis aí algo que me perturba, intriga e atormenta, algo que me faz rir e chorar, que me tira quem eu sou ou que expõe quem eu nunca quis ser. Era apenas um pensamento, hoje a rotina se alimenta dela, a suga, a domina a engorda.

Palavras flutuam em minha mente, coisas que me disseram e me fazem pensar, coisas de quem eu sou, de quem eu pareço ser. Mas a verdade, dura e cruel como é, já não faz mais sentindo, simplesmente, porque não sei quem sou e muito menos quem quero ser.

Vazio, tristeza e talvez um pouco de dor. Se eu fosse quem penso ser não estaria solitária.

domingo, 8 de agosto de 2010

Quem sou eu?

Dentro de mim moram várias pessoas, umas são alegres, outras tristes, umas sarcásticas, outras blassé, umas adultas, outras infantis, umas doces, outras rígidas. Não importa do que me chamem, muito menos do que eu gostaria de ser chamada. A única e verdadeira razão para que eu me sinta completa e vazia está no fato de nunca precisar ser apenas uma pessoa, e de saber que a soma, multiplicação ou divisão de todas elas resulta sempre na mesma solução.
Não se pode medir um homem apenas pela sua aparência, nem tão pouco por suas palavras, seus sentimentos também são base do ser humano que nos tornamos. A razão nos faz diferentes dos outros seres da terra, mas é a emoção que nos uni como e nos faz capaz de mantêr viva nossa espécie, nossa vida, nossa história.
Sem um seríamos apenas palavras, rabiscadas em uma folha qualquer metodicamente guaradas em uma gaveta empoeirada presa com nossas lembranças. Com ela somos indivíduos, que riem, choram, amam, se emcionam e entristecem com as situações vividas por cada um.
Queremos ser estátuas enferrujadas ou defecadas por pombos no centro da cidade? Tão sozinhas como suas idéias, tão esquecidas e ignoradas quanto seus nomes?
Por mais que a razão nos torne seres evoluídos, jamais eu ignoraria meus sentimentos para alcançar um objetivo.
Esta é a razão pela qual eu amo as dezenas de pessoas que vivem dentro de cada um de nós.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O vermelho de minha vida

Estava em movimento quando senti a morbidez do que havia acontecido.
Tantas vezes eu lhe ouvi dizer que eu deveria lhe dar uma chance, que acabei acreditando que você merecia mesmo essa oportunidade. Mas você me decepcionou, e eu percebi, que não passo de alguém que faz tudo o que você não sabe fazer, que leva na cara sem revidar como você merece, que está sempre pronta pra lhe ajudar e apoiar.
Um grande acontecimento me fez perceber que minha vida, meu futuro e meu coração estão onde sempre deveriam estar, há 3 anos, com quem realmente se importa comigo, ou talvez não...
A cabeça gira, o estômago reclama, o coração. Este já não sente mais o tranco, está apenas sobrevivendo...e assim vou seguindo minha pseudovida, esperando que um dia eu deixe pra trás o que nunca foi meu por direito

sábado, 17 de abril de 2010

Ninguém muda

Acusações são cuspidas em sua cara, palavrões, xingamentos, tudo faz parte de um pacote em que você não se vê como produto, talvez seja um brinde ou outro, talvez seja o ar que infla ao máximo o pacotinho que já vem pela metade.
Mas como em todo sonho, uma hora acordamos e constatamos, por mais cruel e doloroso que seja, que somos sim tudo aquilo que nos falaram e que talvez aquela seja a única pessoa em quem você pode confiar e amar incondicionalmente.
Um certo Dr. me avisou uma vez que as pessoas não mudam, mas como qualquer ser humano iludido pelas encenações canalhas que nos são mostradas, você passa a acreditar que um dia tudo pode ser diferente, mas passa.
E sentada sozinha, ou com um estranho lhe dizendo a única verdade que você não suporta ouvir, você percebe que sempre será aquela pessoa que afasta as outras pessoas.
E quando a solidão se tornar parte corriqueira de sua vida e a falta de cuidado se tornar mais uma coisa que você atura sem pestanejar, você sentará em seu quarto e derramará todo o ódio que sente, toda a dor que atormenta e toda náusea que lhe causa.
Tudo isso para aprender a viver sozinha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Block

Eu tento, eu repito a cena, eu relembro cada letra, cada palavra, cada frase, mas tudo o que eu consigo está em branco.
Meu pulso está branco, cheio de veias pretas que pulsam e irrigam vasos menores. Um líquido grosso e roxo.
Mas aí eu percebo que perdi o foco, que não era isso que eu queria, não era o que eu deveria mostrar. A memória volta, mas as palavras não, e a raiva que eu senti de mim quando percebi tudo o que falavam, não me fez ter mais raiva de ninguém. Até a hora em que um pé foi colocado no meu caminho e fui proibida de seguir em frente.
O que eu fiz? Dei a volta e entrei pelos fundos.
Não pense que você vai me impedir, muito menos me calar. O poço fundo e sujo que encontrei não foi visto apenas por mim.

sexta-feira, 12 de março de 2010

P&B

Porque meu quarto é tão branco? Parece que eu não consigo pensar direito, era mesmo, tudo branco.
Era um corpo inquieto, uma mente inqueita, um sonho inquieto, mas era tudo tão calmo, tudo tão solene, tudo tão natural.
Era choro, era raiva, era ódio, mas era amor, era paz, era felicidade.
Era branco, era preto, às vezes era vermelho, marrom nunca foi e a maior parte do tempo era cinza. É cinza, mas será cinza?
Era aperto, era angustia, era dor, era explosão, era êxtase, era prazer.
Eu era tudo e não era nada, eu queria e negava tudo ao mesmo tempo.
Era tudo branco, eu não conseguia pensar. Eu estava presa, mas estava livre, eu estava louca, mas estava sã. Eu queria você, mas acima de tudo eu lhe abominava.
Era vermelho e esvaiu, era branco e escureceu, era amor.....agora não é nada