terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Sem som
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Descobri
Quando descobri que me apaixonei por você, me lembro de ter negado todo aquele sentimento. Tentei arrancar com os dedos o seu rosto de minha mente, o seu cheiro de meus cabelos, a vontade de você do meu corpo.
Tentei fugir da minha dor, da minha cidade, da minha vida. Neguei até o fim que te amava, neguei até o fim que sua falta me fazia chorar, neguei até o fim que precisava de você, mas bastou seu olhar faceiro, suas mãos firmes, seu abraço reconfortante para que eu pensasse em me entregar.
Pensei em te deixar entrar em minha vida, em te contar meus segredos, meus medos, meus sonhos. Pensei em te mostrar o caminho do meu coração e te dar passe livre no meu cotidiano, pensei em você mais do que pensei em qualquer pessoa.
Sorri, fiquei boba, eufórica, amoleci e deixei meu medo de lado. Eu estava entregue, estava preparada para amar. Mas você não. Me deixou confusa, tomou iniciativa e recuou. Fez com que eu me sentisse amada, desejada, mas no fim me deixou sozinha e perdida em mim mesma.
Foi amando você que descobri que o amor machuca, que fere, que dói, mas que alegra, que sorri, que acalenta, que apenas se entrega por completo. Foi amando você que descobri que amor e ódio coexistem e te despedaçam aos poucos, de dentro pra fora.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
A facada não vem do inimigo
Tudo porque meu trunfo virou meu vício, e eu me peguei vasculhando tudo, tentando ligar todos os pontos, montando quebra-cabeças diferentes com peças antagônicas. Eu tentei, eu forcei o encaixe, mas ele não ia, emperrava, chegou até a rasgar e ceder um pouco, mas não era o encaixe perfeito e mais, não formou imagem alguma depois das peças estarem juntas.
Mas melhor voltar ao meu ofício, como todo metido a detetive um estalo me levou a um caminho sem volta, era preciso agir no impulso, sem deixar rastros, pistas ou manchas. Não sei se consegui, provavelmente não. Tudo porque não me dei conta que essa investigação era diferente de todas as outras, ela envolvia algo com o qual nunca me dei muito bem, o sentimento.
Quando abri a pasta que faltava eu já sabia o que esperar. Mesmo não acreditando consegui ver com os meu olhos de São Tomé que o inimigo mora ao lado, não se importa com seus sentimentos e só quer mesmo é se dar bem, independente do que realmente deseja.
Bem, comigo nunca foi assim, eu não entendo o interesse exacerbado no material, tenho nojo de quem age pela carteira e sinto pena de quem se submete a isso. Tudo isso porque tenho orgulho e medo de ser o que sou, de pensar como penso e de viver com a convicção de que o conteúdo do livro vale mais do que sua capa e, que nem o melhor e mais bonito frasco do mundo fará jus a fragância que escolhi. Que nada nem ninguém tem o direito de passar por cima do sentimento de alguém para conseguir o que quer.
Eu ainda acredito no respeito, no amor, na justiça, no conhecimento, nesse acima de todos os outros. Porque é burrice pensar que não exista no mundo alguém que investigue o suficiente para descobrir que você mentiu, deu trela, deu esperança, se jogou, deu abertura, mas não foi retribuida e partiu para outra.
Mas nem isso foi capaz de me deixar feliz, apenas porque eu sei o que sempre soube, nada do que fiz por você, nem as coisas que abdiquei por você te tornaram uma pessoa melhor. Não. você está cada dia mais distante de ser o quer mostrar ser e, eu, apesar da decepção e do arrependimento, sei que me tornei algo que você jamais será. Uma pessoa de caráter.
domingo, 6 de novembro de 2011
Monstros
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Um ensaio de vida
Aos pulos avancei por entre as portas semi abertas, vesti um manto silencioso, cuidadoso, quase inaudível. Do andar de cima escutei a respiração forte, o arrastar do móvel, o estalar dos ossos. Deslizei pela escada como um fantasma e me vi parada em frente a uma porta branca, com rachaduras e pequenas gotas vermelhas. Me virei tentando desistir. Na parede oposta um espelho cintilava minha feição fantasmagórica, meus olhos fundos e escuros, minha boca triste, minha expressão duvidosa.
Um rapaz jovem e de olhos claros desabotoou o cinto e me carregou até uma maca. Gritando ele avisou aos médicos já na emergência do hospital sobre o acidente. Berraram, uma pontada de dor me fez perder o ar, aos poucos a dor ia aumentando, até que eu ouvi um choro.
No dia seguinte acordei com a porta se abrindo e meu filho sendo depositado em meus braços. Enquanto um lágrima feliz e solitária escorria dos meus olhos, vi sua sombra parada na porta imóvel, seus olhos agora tinham vida, e também tinham dúvidas. Outra lágrima, magoada e nervosa escorreu de meus olhos. Ele avançou, eu apertei a campainha. O rapaz de olhos claros entrou as pressas, viu meu olhar pesado sobre ele e o afastou, olhei insegura para o bebê em meu colo e toquei suas bochechas.
Ele agarrou meu dedo, abriu os olhos e sorriu!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Com o passar do tempo
quinta-feira, 10 de março de 2011
Enquanto ele não vem
Nessa mesma ocasião meu perguntei se um beijo de amor e tão diferente de um beijo de tesão, se os valores são diferentes, se o contato corporal muda.
Não sei ao certo que me fez pensar nisso, talvez fossem as lágrimas que me escaparam dos olhos teimosos que fitavam o casal no parque, talvez fosse o soluço sorrateiro que pulou de minha boca logo depois de ouvir meu amigo de ônibus dizendo "Eu Te Amo" ao telefone. Pode até ser o fato de ter percebido que o amor sempre me fez falta, mesmo eu negando, mesmo desdenhando.
Mas foi de amor como afeto, como carinho, como saudade que eu senti falta. Foi de amor como toque, como cheiro, como gosto. Eu senti falta do amor como ele não sentiu de mim. E enquanto ele passa disfarçado ao meu lado, tentando esconder seu rosto em outros tantos que cruzam meu caminho, eu vou seguindo solitária, vendo o amor de uma janela, de um banco, de um quadro. Acreditando que eu não mereça o amor e, que talvez ele tenha percebido isso.
